30 de agosto de 2009

PAULO FREIRE VAI AO MÉDICO


Sempre fico muito reticente em me opor a certas opiniões unânimes sobre uma idéia, uma pessoa, ou um fato. Quando o faço, logo depois surge uma “auto-cobrança” representada pelo seguinte questionamento: Estou me rendendo à pretensão? Quem sou eu para discordar do que é praticamente unânime? Foi assim que adotei a palavra “dialética” como uma de minhas prediletas. É a dialética que, ao longo dos anos, vem me defendendo de possíveis pretensões.


Ainda na adolescência, ao me deparar com o livro “Pedagogia do Oprimido”, tive o primeiro contato com o educador Paulo Freire. Naquele momento identifiquei-me com o título, afinal, qual adolescente não se sente oprimido? No entanto, conforme fui me aprofundando no assunto – dentro de minhas limitações – percebi que este era bem mais amplo e complexo do que a pedagogia para aborrecentes... e assim, resolvi deixá-lo para mais tarde.


Alguns anos depois, o “mais tarde” chegou. A metodologia Paulo Freire consiste, resumidamente, numa proposta para a alfabetização que leva em consideração o próprio contexto do indivíduo, buscando alfabetizá-lo com palavras comuns ao seu meio habitual. Segundo Paulo Freire, por exemplo, uma pessoa que vive em situações sócio-econômicas precárias e que jamais andou de avião, não deveria ser alfabetizada com a palavra “avião”. Inicialmente seria feito um levantamento do universo vocabular do grupo no qual aquela pessoa estivesse inserida, e posteriormente, tais palavras seriam trabalhadas de acordo com a riqueza fonética e seu significado, contextualizando-as dentro daquela realidade. Este método tornaria o ensino mais interessante e eficaz.


Já de imediato, não concordei com tal metodologia. Isto não seria uma forma de segregação de grupos formalmente? Como seria justo educar pessoas de forma diferente, já supondo que suas realidades jamais poderiam, direta ou indiretamente, coincidir? Quer dizer que um grupo de pessoas cujas famílias fossem desagregadas, e que não teriam a oportunidade de comer uva, jamais poderiam ser educadas com a frase “vovó viu a uva”? Ainda era criança quando aprendi a palavra “caviar” e até hoje não o comi (e nem pretendo)... mas seria um absurdo não identificá-lo quando o visse. Aquela pessoa que nunca andou de avião, tem que aprender esta palavra sim, após saber o seu significado... desta forma, o avião estará inserido em seu mundo, e em seu vocabulário. O conhecimento traz o discernimento para nossas escolhas... e o nosso mundo é aquilo que conhecemos.


No entanto, nunca me senti confortável em criticar um dos maiores educadores de nosso país, principalmente porque toda sua obra reflete uma grande preocupação com o social, com os menos favorecidos, o que por si só, já o faz uma grande pessoa. É difícil encontrar opiniões contrárias. Assim, fiquei aguardando que o tempo fizesse com que eu mudasse – pelo menos em parte – de idéia.


Num dia destes, li um artigo interessante da Universidade de Brasília sobre o índice de adesão ao tratamento dietético em pacientes portadores de Diabetes Mellitus. Dos pacientes analisados, verificou-se uma não adesão em torno de 55%. Os pacientes com melhor grau de escolaridade eram mais aderentes, sendo que os analfabetos (29% da população estudada) estavam no grupo dos menos aderentes. Quando foram analisados os motivos para isto, verificou-se que 38% dos pacientes simplesmente não entendiam como o tratamento deveria ser feito. Concluiu-se então, que uma “educação nutricional” seria fundamental para uma maior aderência.


Além do Diabetes Mellitus, estudos referentes à adesão no tratamento anti-hipertensivo mostram que cerca de 50% dos pacientes submetidos à terapia também não são aderentes. Dentre os fatores que interferem na adesão, embora o índice sócio-econômico não seja fator independente, alguns fatores estão bem estabelecidos, como analfabetismo, baixo nível educacional e econômico. O problema da não adesão ao tratamento estende-se ainda para outras doenças. Recentemente, o Presidente do departamento de aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia afirmou que a adesão ao tratamento da dislipidemia no Brasil é muito baixa.


Pensando na gravidade destes dados, Paulo Freire surgiu (sorrindo) em minha mente... afinal, todos estes dados estavam relacionados à própria educação, porém no que se refere à saúde. Esta questão me fez pensar que mesmo ampliando o atendimento médico à população, assim como o acesso aos medicamentos distribuídos na rede pública, isto não é suficiente para melhorarmos os índices de saúde. Ampliar o atendimento e a distribuição de medicamentos não significa ampliar o conhecimento do indivíduo sobre sua própria doença. Sem este conhecimento, é possível um tratamento eficaz? É bem possível que os altos índices de não adesão, estejam em parte, relacionados a esta questão.


Teoricamente, o médico deve explicar o tratamento ao paciente antes de prescrevê-lo. Explicar de forma clara, objetiva, escrevendo na receita os medicamentos de forma legível... tudo isto é mandatório na prática. Mas... até onde vai o “teoricamente”? Qual o limite na prática médica entre se preocupar com o que “se deve fazer” pelo paciente e se preocupar com o que “realmente será feito” por ele? O que é claro para alguns, pode não ser para outros. A mesma explicação de um tratamento pode ser clara para um paciente e totalmente nebulosa para outro.


Caberia ao médico então, introduzir na prática médica, uma linguagem que se adapte à realidade do paciente? Levar para dentro do consultório certos elementos presentes no contexto do paciente, de forma a tornar mais claro seu tratamento?


Torna-se evidente, neste momento, que este pensamento consiste na metodologia Paulo Freire aplicada à prática médica. Para que um paciente se cuide adequadamente, é necessário que ele entenda a importância da profilaxia na prevenção, o significado de sua doença para aderir ao tratamento, e a forma de prosseguir evitando danos maiores. Tudo isto parece muito simples, mas se formos pensar naqueles índices de não adesão mencionados, veremos que é necessário mais do que o médico e o paciente frente a frente. É necessário, que entre eles haja uma ponte de comunicação.


Se continuo discordando da metodologia Paulo Freire na alfabetização do indivíduo, hoje vejo que sua aplicação na relação médico-paciente encontra seu lugar, afinal, neste caso os resultados precisam ser imediatos. Dentro do consultório, pessoas que jamais comeram uva, não tiveram avós, ou jamais viram um avião, ocuparão a mesma cadeira de quem já conhece tudo isto. Resta ao médico então decidir entre “fazer o seu papel” ou fazer mais do que isto, conseguindo enxergar dentro de cada pessoa, todo o contexto social que ela carrega. Abrir as portas do consultório para uma linguagem mais acessível, assim como para toda uma equipe multidisciplinar, quem sabe não fará com que aquele paciente pouco instruído, pelo menos em relação à sua saúde, tenha um pouco mais de conhecimento.


Andrea Pio

25 comentários:

Camila disse...

Andrea,
Gostei muito do texto, mas confesso que não terei muitas condições de comentar,porque meu conhecimento sobre o Paulo Freire é zero. Já vivenciei no hospital situações em que o paciente não aderiu ao tratamento certamente porque não entendia nada do que foi explicado. Conseguir fazê-lo entender as coisas, com um tempo curto de atendimento em hospital publico é difícil. São muitos pacientes para atender!! Mas temos que tentar.

Camila

Jones Egydio disse...

Indiscutivelmente, um excelente ponto de vista sobre o pensamento de Paulo Freire – ou melhor, da aplição de suas idéias. Olhando pelo óptica da didática, alfabetizar utilizando elementos do cotidiano do indivíduo seria, no mínimo, fazer o que hoje já se faz nas redes púlicas de ensino: nada. Estatisticas geradas pelo próprio governo mostram que de 30% a 40% das desistencias nas redes de ensino fundamental e médio, deve-se unica e exclusivamente ao desisteresse. Pode-se concluir que, além de desisteranssante, o conteúdo ensinado não se mostra util para assuntos do cotidiano – nem para ser aprendendido nos “tempos livres”, como divertimento. Além, claro, do despreparo de grande parte dos professores.
Estou convencido que essa situação não irá mudar tão cedo. Se tivéssemos seguido o exemplo da China – que há 50 anos investe forte em educação – hoje poderiamos viver em um país menos corrupto, com a população culturalmente e tecnicamente preparadas para o desenvolvimento tecnológico e veríamos uma taxa de crescimento economico beirando os 2 dígitos. Poderíamos ser um exportador tecnologia e seríamos umas grandes potencias – mas hoje somos apenas o “B” do BRIC... e o nosso presidente, “O cara”...
O temos hoje é uma politica assistencialista e com um sistema falido de ensino publico (em todos os níveis, inclusive o nível superior e pesquisa). O país é o segundo pior colocado nas avaliações globais de matemática (sei muito bem disto...) e os testes de proficiencia mostram que a grande maioria nao consegue entender o próprio idioma – até consegue-se ler as palavras mas sem enteder o significado que representam em um texto. Tecnicamente, este individuo recebe a denominação de “analfabeto funcional”. Provavelmente é o tipo de individuo que não consegue entender os tratamentos prescritos por voces.
Sou contrário ao ponto de vista de Paulo Freire – analisando superficialmente a sua proposta. Mas devo concordar que poderiamos aplicar suas ideias fora das salas de aula e – no caso de voces – nos consultórios. Ser direto e utilizar poucas (e fáceis) palavras. Não cabe a nós, neste momento, alfabetizar ninguem. Neste momento, a única preocupação devemos ter é nos fazer entendíveis.

Jones Egydio

José Carlos disse...

Andreia,
Antes de comentar seu excelente texto, vou só fazer uma pequena reclamação:
Você não está contribuindo com meu orçamento doméstico. Uma crônica por mês não é o suficiente! Se escrevesse mais eu poderia economizar mais na compra de livros aqui em casa.
Voltando ao texto, assim como a Camila aí em cima disse, não sei se terei condições de comentar.
Mas vou pegar uma carona no que o Jones falou e acrescentar o seguinte conceito do IBGE que fiquei sabendo há alguns anos atrás: Vocês sabiam que a definição de analfabeto funcional é a pessoa que possui menos de quatro anos de estudos completos? Não entra na definição se a pessoa é capaz de entender o que está escrito ou não, o que é um absurdo. Esta definição é bem conveniente para as estatísticas, pois mais uma vez, um número passa a ser o importante: Quatro anos. Deixa de ser importante o conceito de se entender o que é lido, o que é ensinado.

Pelo que você explicou sobre Paulo Freire, também não concordo com ele. Certamente no consultório pode no entanto, ser utilizado.

Abraço,
JC

Andrea Pio disse...

Camila,
Você está certíssima quando se refere ao tempo. Muitas vezes o tempo é curto para o grande número de pacientes... a questão é atingirmos um equilíbrio dentro do pouco tempo que temos mesmo.

Jones,
Que honra ter seu comentário aqui!
Gostei muito do seu comentário.
É triste realmente sabermos que somos o segundo pior país colocado nas avaliações de matemática... triste, embora não me surpreenda nem um pouco (o que é mais triste ainda). Você falou sobre esta política assistencialista que temos em nosso país, que coexiste com o sistema de ensino público falido. Penso que isto ocorre porque tal "assistência" se dá em setores errados, e aplicada de forma superficial... para trazer votos ao invés de crítica. Trazer o falso pensamento de que a população é progressivamente melhor assistida. Não é.
A literal "falta de educação" é a fonte para muitos problemas. Um povo que não tem conhecimento, não se torna crítico. Um povo que não é crítico é incapaz de cobrar de seus superiores...
O que nos resta então, é tentarmos amenizar tal problema nos momentos em que "o entendimento" deve ser imediato... daí esta questão da metodologia Paulo Freire na prática médica.

José Carlos,
Muito engraçado. Sinto por não estar contribuindo com seu orçamento, mas é que realmente não tenho tempo para escrever mais do que um texto por mês!
Fiquei PASMA com a definição do IBGE sobre analfabeto funcional. Então, quando formos ver as estatísticas, temos que pensar que elas estão ABSURDAMENTE subestimadas.

Abraço a todos,
Andrea

Clayton disse...

Deinha,

Excelente texto!! Me remeteu ao MOBRAL da década de 60!! Só para lembrar:

O Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) foi um projeto do governo brasileiro, criado pela Lei n° 5.379, de 15 de dezembro de 1967, e propunha a alfabetização funcional de jovens e adultos, visando "conduzir a pessoa humana a adquirir técnicas de leitura, escrita e cálculo como meio de integrá-la a sua comunidade, permitindo melhores condições de vida".

Criado e mantido pelo regime militar, durante anos, jovens e adultos frequentaram as aulas do MOBRAL, sem no entanto atingir um nível aceitável de alfabetização ou letramento.

Na minha infância, na terra dos pés-rachados, lembro me muito bem que chamava os coleguinhas de escola que cometiam algum erro crasso de: "Seu mobral!!!"

Será que ainda vivemos essa época educacional?

Nicole Louise disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nicole Louise disse...

Querida Andrea,
Que bela forma você encontrou para tratar de assuntos que tendem a serem tratados de forma tão complicado, dificultando e perpetuando ainda mais a sua discussão e desenvolvimento. Quantas e quantas vezes eu, com um diploma universitário, uma pós-graduação, e 3 idiomas na cachola, pensei: o que diabos esse médico está me dizendo?
A última vez que tive a terrível sensação de que para alguns médicos a "missão cumprida" vai só até a execução de um exame básico e a prescrição de uma receita, foi em 2008 quando visitei um oculista em Brasília.

Cheguei, sentei, a recepcionista me chamou, pediu para ver o cartão(do convênio médico), mostrei. Recebi instruções para dilatar a pupila. Entra ali, abre o olho, pinga isso, pinga aquilo, senta e espera. Esperei. Lá vem ele: "Nicole". Sou eu! Siga-me, por favor. Segui. Boa tarde Dr. Boa. Pois não? Dor de cabeça, tontura, dificuldade para ler e... Ok,ok, sente ali. Sentei. Quantos dedos? 5. E agora? 3. E agora? 4. Olha pra lá. Olhei. Agora pra cá. O que você vê? B ou P? 1 ou 7? M ou N? E agora? Não vejo. E agora? Ahhh é um N! Ok. Pode sentar aqui agora. Sentei. Ele preenche uma receita calado. Depois de alguns segundos me passa a receita sobre a mesa: você precisa usar óculos. Leve essa receita a uma ótica, encomende seus óculos e quando receber volte aqui para eu examiná-los? (???) + (!!!) óculos?! Mas o que é que eu tenho? Você tem miopia e astigmatismo. Ok. E o que isso significa? Que você tem que usar óculos. Mas por que? Como assim? Não tem cura? Não pode melhorar? Não, não tem cura. Pode amenizar a sensação de não poder ver, por isso estou te recomendando os óculos. Mas o que acontece se eu usar óculos? Vai piorar ou melhorar? Vai agravar com o tempo, mas é normal. Normal? E se eu não usar vai piorar ou melhorar? Pode ser que não piore, mas melhor não vai ficar. Então peraí: se eu usar óculos eu vou achar que estou melhor,mas na verdade vai piorar com certeza no futuro, e se eu não usar pode ser que não piore, é isso? É. Ok, obrigada. Levanto, abro a porta. Nicole, a sua receita... NÃO, OBRIGADA!
E essa foi a minha última visita a um oculista (rsrsrs).
O seu texto me enche de esperanças...
Xxx
Nicole

Andrea Pio disse...

Clayton, ou melhor, zezinho,
Muito boa esta lembrança do método "mobral"... assim como você, também utlizava este termo pejorativamente na infância...
Você perguntou se ainda vivemos esta época atualmente... a mesma época talvez não, mas certamente não evoluimos muito.

Obrigada pelo comentário, meu grande amigo.


Nicole,
Você disse que meu texto te enche de esperanças...que bom. Da mesma forma, seu comentário me enche de reflexões.
Essa experiência que teve certamente é um exemplo da "falta de comunicação" na relação médico-paciente... mesmo quando o paciente (no caso você), é intelectualizado. Este tipo de "falta de comunicação", quem sabe não seja reflexo da "falta de vocação".
Mas, acredite... há outros oftalmologistas BEM mais atenciosos viu? Rindo... felizmente.
Obrigada. Seus comentários enriquecem meu blog.

Abração,
Andrea

Mauro Suyro disse...

Andrea Pio,
Você escreve com maestria. Todos os textos muito bons. Certamente um dom.
Tornei-me seu seguidor.
Cumprimentos,
Mauro

Andrea Pio disse...

Puxa Mauro, me sinto lisonjeada por tê-lo como seguidor.
Espero corresponder às expectativas nos próximos textos.
Obrigada,
Andrea

Mario Lobato da Costa disse...

Boa tarde Andrea,
Gostei muito de seu texto. Sou médico, trabalho muito em capacitação de pessoas na área da saúde, profissionais ou não, e admirador do Paulo Freire desde neus tempos de escola, mestrado etc (há muito tempo...). Existe uma citação do Paulo Freire que eu gosto muito que é a seguinte: "O verdadeiro compromisso é a solidariedade". Nós que trabalhamos em saúde, sabemos o quanto a solidariedade conta não é?
É uma honra para mim ter você visitando meu blog.
Abraço, Mario

Andrea Pio disse...

Oi Mario
Muito boa esta frase do Paulo Freire mesmo. A solidariedade é fundamental para uma sociedade melhor.

Honra é minha de tê-lo como seguidor do meu blog.
Abraço!
Andrea

Danielly disse...

Dra. Andreia, com certeza é uma grande pretensão sim criticar o educador Paulo Freire. Vivo o dia a dia da educação publica, da alfabetização de quem não tem oportunidade. Eles são pessoas também e sua forma de ver o mundo deve ser respeitada. Paulo Freire é o maior educador de todos os tempos, mas criou muitas críticas por ser chamado de socialista. É por isso que a sociedade capitalista está desse jeito, porque as diferenças não são valorizadas. Médico entende é de medicina. Continue escrevendo sobre medicina.
Danielly

Andrea Pio disse...

Daniele,
Em agradecimento pela sua (breve) presença, deixo aqui uma frase que gosto muito, dita por Voltaire. É provável que também não concorde com ela mas... aí vai:
"Posso não concordar com sua opinião, mas lutarei até o fim pelo direito de expressá-la".

Andrea

luis serau (nome verdadeiro) disse...

"Médico entende é de medicina. Continue escrevendo sobre medicina.
Danielly"

filha, cadê a interdisciplinaridade??

médico também é educador, e também faz parte da mudança social, vc deve perceber os avanços sociais que ocorreram e ocorrem com a implantação do sus. há 20-30 anos, se sua empregada doméstica não tivesse carteira registrada, seria "indigente" e não seria atendida em hospital público....

os médicos participaram de muitos movimentos sociais, existem muitos médicos escritores... tipo guimarães rosa, não leio muito, mas vc como educadora deve conhecer muitos outros exemplos... (vc mantem sua posição de que médico deve escrever sobre medicina??).

mais uma coisa gostaria de espressar: em todas profissões existem profissionais que querem fazer a coisa certa (frase do spike lee - mas eu gosto de citar), e aqueles que só estão pelo dinheiro, gente de bom e mau caráter (inclusive entre educadores); me considero médico da primeira categoria (e de primeira categoria - modéstia a parte). diariamente nos deparamos com diversos tipos de pacientes, com vivências diversas na área da saúde, com níveis sócio-culturais e econômicos diversos, então, quando prescrevemos um tratamento, existem duas posturas, entregar a receita e abraço, ou explicar pra que serve cada remédio, como se toma (no caso não me refiro se com um copo de água ou de leite), o que é esperado em relação aos efeitos colaterais, duração do tratamento, orientações nao medicamentosas. pense na dificuldade de se explicar para um transplantado analfabeto (sim, eles também têm direito de receber um rim...) como tomar remédios que alguns letrados não conseguem pronunciar o nome e nem tomar direito....

e isso em alguns minutos!

mas ensinar (inclusive como realizar o tratamento) não é função do educador? então nesse caso vou arrumar um professor pra me acompanhar nas consultas...

cada um no seu quadrado....

música ruim....

não houve intençao de dolo, mesmo que de forma prolixa tenha exposto minhas idéias.

PS: andrea, bom texto.....

PS2: o espaço é aberto para opiniões, cada um tem a sua, isso é democracia...

Juliana Migliorati disse...

Tem selinho p/ vc lá no meu diário
http://www.enfermagemdiario.blogspot.com/
Beijinhos.

Andrea Pio disse...

Luis,
Rindo... você ficou bem bravo hein?
Realmente seria difícil levarmos um professor para cada consulta...
Que bom que tenha gostado do texto. Você sabe que te considero um ótimo médico, meu companheiro de nervos da residência.

Juliana,
Obrigada por indicar meu blog!
Beijo

Andrea

Vivian Sbrussi disse...

Oi!

parabéns pelo blog, ele é ótimo!

=D

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CONTINUE ANDANDO

Às vezes o caminhar é lento,
mas o importante é não parar.
Mesmo um pequeno progresso é um avanço na direção certa.
E qualquer um é capaz de fazer um pequeno progresso.
Se você não pode conquistar algo importante hoje,
conquiste algo menor.
Pequenos riachos se transformam em rios poderosos.
Continue em frente.
O que de manhã parecia fora de alcance,
pode ficar mais próximo à tarde se você continuar em frente.
O tempo que usar trabalhando com paixão
e intensidade aproximará você do seu objetivo.
É bem mais difícil começar de novo se você pára completamente.
Então, continue em frente.
Não desperdice a chance que você mesmo criou.
Existe algo que pode ser feito agora mesmo, ainda hoje.
Pode não ser muito, mas fará com que continue no jogo.
Caminhe rápido enquanto puder.
Caminhe lentamente quando for preciso.
Mas, seja o que for, continue andando.

(autor desconhecido)

Bjus no seu ♥
ღViViAn\\(^_^)// Sbrussi

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Vivian Sbrussi disse...

Bom dia!

que delícia a sua visitinha em meu blog... e ainda mais a Dra como minha seguidora! Fiquei super feliz! obrigada!

um ótimo fds! =D

Andrea Pio disse...

Oi Vivian,
Fui retribuir à sua visita e realmente gostei muito do seu blog. É lógico que também seria seguidora.
Adorei o texto que enviou. É isso aí... o importante é seguir em frente sempre porque a vida é boa demais.
Abraço,
Andrea

Asdrubal Cesar Russo disse...

Andrea,

Seu blog é sensacional. Você escreve de uma maneira que nos cativa na primeira frase.
Estarei acompanhando seu blog!
Deixo aqui dois dos meus blogs, um sobre notícias comentadas de maneira "ácida". http://imutilidadepublica.blogspot.com
E outro do meu outro prazer na vida além da medicina:
http://acrusso.blogspot.com

Abçs

Nicole Louise disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nicole Louise disse...

Puxa, a Danielly é mesmo a delicadeza em pessoa...

É uma pena que até mesmo os professores continuem a confundir o processo de analisar com o de criticar.

Pois, saiba, minha cara, que é mais do que possível aprofundar-se, ainda que de forma reticente, em um assunto, sem que esta análise necessariamente se transforme em uma crítica ferrenha. E a prova está aqui neste blog.

Quanta a você, querida Andrea, continue fazendo o que sabes fazer muito bem: escrevendo de forma compreensível sobre o que lhe der na telha, e isso inclui Paulo Freire.

xxxxx

Nicole

Andrea Pio disse...

Asdrubal,
Obrigada mesmo pelas palavras. Já estou indo lá agora visitar seu blog!

Nicole,
Pode deixar, continuarei escrevendo!
Abração,
Andrea

Mariana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.