9 de setembro de 2011

GESTÃO ORGÂNICA






O que nos motiva? O desejo de conquistar o mundo? Ou de repente... o de conquistar alguém? A vontade de adquirir mais conforto na vida, estar entre amigos? Sentir o vento no rosto ao dirigir um carro conversível, ou simplesmente andar sem rumo com os pés na areia? O que nos impulsiona? A possibilidade de ascensão profissional, o desejo de ter grandes amigos, uma bela família ou ao menos, um cão e companheiro fiel? A vontade de sermos reconhecidos ou de nos reconhecermos frente as nossas próprias condutas? A vontade de descobrir coisas novas ou redescobrir o esquecido? Ser amado? Amar?

O que faz nosso coração bater mais forte? O que acelera nosso pensamento? O que nos faz seguir em frente sorrindo?

Muito tem se falado sobre “motivação”. Centenas de livros têm sido escritos sobre o assunto, e outras centenas de palestras realizadas em pequenas a grandes empresas. O objetivo maior? Estimular um ambiente produtivo, saudável e agradável de trabalho. Mas... e na vida pessoal? De onde vem a motivação sem palestras, brindes, ou reuniões de grupo? Quem nos motiva enquanto pessoas – independente dos profissionais que somos?

Da mesma forma, ouvimos muito falar em gestão. Gestão empresarial, gestão ambiental, gestão em saúde publica, gestão hospitalar, e outras. Todas certamente fundamentais já que sem gerenciamento de sistemas tão complexos, torna-se impossível alcançar resultados. Mas e a gestão de nós mesmos? Como está o nosso próprio gerenciamento? A saúde é um resultado que buscamos? A qualidade de vida é um valor que devemos buscar ou um preço que estamos dispostos a pagar?

Veja que dentre as maiores pretensões do ser humano, não está a de permanecer saudável, ter saúde, ter melhor qualidade de vida. É como se isto fosse básico demais, e estivesse implícito em tudo. Mas é possível que a saúde permaneça implícita? É possível que nossos órgãos atinjam suas funções plenamente sem o menor gerenciamento?

A questão é justamente esta: O que entendemos como saúde? Concordamos com Christopher Boorse, que na década de setenta definiu como a simples ausência de doença? E o que significa qualidade de vida? É possível ter qualidade de vida ao superar os desafios impostos pela atribulada rotina? Independente dos conceitos já bem difundidos, podemos responder que temos saúde e qualidade de vida na prática?

Nosso corpo é uma empresa cujos resultados – bons ou maus – são vistos muitos anos depois. E, geralmente, como toda empresa, a motivação parte de quem está acima gerenciando. A mente humana não tem sido tão gestora assim. Aceitamos necessidades antes inexistentes, criadas apenas para consumirmos. Aceitamos hábitos de vida antes criticados, pois outras metas parecem prioritárias. Aceitamos nos adaptar constantemente, sem que nosso organismo se adapte a nós. Saímos do centro da nossa vida. Nosso corpo deixou de ser a prioridade, o que é contraditório perante tanta evolução no conhecimento médico, nos métodos diagnósticos e recursos terapêuticos.

Fazemos parte de um mundo onde doenças que poderiam ser prevenidas ou controladas, continuam sendo as mais prevalentes, acarretando inúmeras complicações. Fazemos parte de um mundo em que a depressão já representa uma das maiores causas de afastamento do trabalho, e onde o consumo indiscriminado de antidepressivos consiste em um problema de saúde publica. Adotamos a “síndrome de burnout” e negligenciamos o senso critico.

Portanto, o que faz nosso coração bater mais forte? O que acelera nosso pensamento? O que nos faz seguir em frente sorrindo?

Estas respostas são importantes para saber o que nos motiva. Mas, no que se refere ao nosso corpo, devemos sempre lembrar que numa empresa os melhores funcionários são aqueles que – mesmo sem estimulo – mantêm sua competência e seu comprometimento. Nossos órgãos são funcionários assim. Continuam trabalhando... mas precisam de condições dignas para isso... mesmo que a vida estressante, o ritmo agitado e as inúmeras responsabilidades criem um ambiente desfavorável. Somos o CEO do nosso organismo.




.
Andrea Pio

5 comentários:

Manoel Pio disse...

Gostei muito desta crônica Dra Andrea. Achei-a muito pertinente para aqueles que se dedicam ao gerenciamento de uma empresa, principalmente na área da saude. Concordo. A mente é, sem dúvida, o gestor desta empresa tão complexa que é o corpo humano cujos órgãos trabalham em perfeita sintonia e com sentido de equipe. Te amo.
O pai que tem muito orgulho da filha.

Andrea Pio disse...

Você é que é meu orgulho pai. Meu imenso orgulho.
Te amo!

Mauro Sueyro disse...

Andrea, já estava achando que havia parado de escrever. Mas compensou a demora. Muito bom o texto. Me fez pensar.
Cumprimentos.

Andrea Pio disse...

Ei Mauro, obrigada. Fase de muito trabalho... acabo não tendo tempo para escrever mesmo. Mas é uma prioridade acredite!
Que bom que gostou do texto.
Abço
Andrea

Roberta Clarissa Leite disse...

Muito bom o texto, parabéns. Acho que a pergunta é mesmo essa: "E o que significa qualidade de vida?", a mente e como a gente enxerga tudo que está em nossa frente tem o papel principal, saber dar a importância certa para o que é importante.
Abraço
Roberta Clarissa(www.planodesaude.net)